Ritos de Prazer


Esta noite
quero um amor atrevido
contínuo,
despudorado...

...ao sabor do pecado
e a muito vinho regado...

Que se inicie o ritual
na terra sagrada
do monte de Vênus,
ungindo cada um de meus pelos
com teus lábios febrís
num beijo molhado.

Que venha o fogo a arder
ao ofertar-me o pescoço a lamber...

no meu subir e descer de língua
e a saliva a ungir todo o teu corpo,
levar-te-ei ao extremo desespero,
fazendo de ti, por mim,
ainda mais louco...desejoso.

Um louco depravado
aprisionado no meu inferno feminino
para que de forma envolvente,
o meu ventre quente,
ti, adentre possuído,

para que me ponhas fervente
a gemer,
tremer em gozos latentes
a cada arrebatamento teu
e, nas raias de nossas loucuras
quero os teus gritos em silêncio
implorando em teu corpo,

o meu,
nu,
contigo a ferver em travessuras
de fazer céus e infernos estremecerem...

quero-te prisioneiro
do eco das tuas próprias lamúrias
e num misto de loucura e prazer
quero-te de joelhos, preso,
em correntes de desejos
atendendo os caprichos
de minha luxuria,

onde os fetiches providenciais
serão a tua penitência
para que venhas à mim, enfim,
fielmente,
todas as noites subseqüentes, morrer...

...de prazer

Marta Rodriguez

2 comentários:

Fabio Daflon disse...

Bonito poema, quando o amor é um dever espontâneo nunca é penitância.

Marta Rodriguez disse...

Tem toda razão Fabio! Adorei a sua visita, e desejo que volte outras vezes. Obrigada por ter comentado...Beijinhos.